1 de mar. de 2011

Diva Justitiæ _"Quem é afinal, a Deusa da Justiça?"


por Cristiane Lara, sexta, 25 de fevereiro de 2011 às 20:05


As Deusas da Justiça

A balança na condição de símbolo do Direito e da Justiça é um dos símbolos profissionais universalmente conhecidos. Contudo, a representação original não consiste na balança sozinha, e sim, na balança, em perfeito equilíbrio, sustentada por mãos femininas.
Nesse sentido, existe uma enorme confusão em relação a quem é a "Deusa da Justiça".
Enquanto para a maioria das pessoas é Themis (ou Têmis, as duas formas de grafia estão corretas), há os que acreditam que é Diké e outros que é Iustitia. Há também aqueles que desconhecem a controvérsia, e os que nem tem vontade de saber quem é a figura da mulher que representa a "Deusa da Justiça".
A confusão é tamanha e tão estabelecida que os próprios materiais e fontes de pesquisa são equivocados e contraditórios. É imperioso mencionar que até sites de pesquisa na Web, de Escritórios de Advocacia e inclusive de Faculdades de Direito disponibilizam informações errôneas.

É, pois o presente artigo jurídico no sentido de dirimir a instalada celeuma respondendo a cândida pergunta "quem é afinal, a Deusa da Justiça?".

DIKÉ (Deusa Grega da Justiça _sem venda_iudicare)

Diké (também cognominada de Dice), era filha de Zeus com Themis, viveu junto aos homens na Idade do Ouro, e simbolizava a deusa grega dos julgamentos e da justiça, vingadora das violações da lei.
 Equivale a deusa Iustitia da mitologia romana.
Deusa Grega da Justiça Icnograficamente, Diké aparece com a mão direita sustentando uma espada (numa alusão a força, elemento indispensável ao Direito) e com a mão esquerda, por sua vez, sustentando uma balança de pratos (referindo-se à igualdade como meta buscada pelo Direito), sem que o fiel esteja no meio, equilibrado. O fiel só vai para o meio depois da realização da justiça, do ato tido por justo, pronunciando o Direito no instante de "ison" (equilíbrio da balança). Percebe-se que, nesta concepção, para os gregos, o ideal de justo (Direito) era identificado com o de igual (Igualdade).
É de se mencionar que Diké é representada com os olhos bem abertos, para valer-se no julgamento não só da audição, como também da visão (a deusa romana Iustitia não aparece com os olhos abertos, mas sim, vendados) e descalça.
 A história diz que ela foi exilada na constelação de Virgem. No entanto, ela foi trazida de volta à Terra para corrigir as injustiças dos homens que passaram a ocorrer.
Foram os artistas alemães do século XVI que inventaram a venda.
 A faixa cobrindo os olhos retratava a imparcialidade necessária a um julgamento justo e escorreito. Utilizando a venda, a deusa não vê distinção entre as partes litigantes, sejam ricos ou pobres, poderosos ou humildes, intelectuais ou analfabetos. Suas decisões, justas e prudentes, não eram baseadas na personalidade, nas qualidades ou no poder dos indivíduos envolvidos na contenda judicial, mas sim, no saber das leis. Atualmente, conservada a venda nos olhos, visa-se conferir à estátua de Diké a imagem de uma Justiça que, cega, concede a cada um o que é seu sem conhecer o litigante. Imparcial, não distingue ninguém. Aplicando a todos o reto Direito.
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IUSTITIA  (Deusa Romana da Justiça _com venda_jus dicere)

Deusa romana da justiçaO povo romano da antiguidade, simbolizava a justiça através da Deusa Iustitia, a qual distribuía a Justiça por meio da balança (com dois pratos e o fiel no meio). Ficava de pé e tinha os olhos vendados e dizia o direito (jus), quando o fiel estava completamente vertical, direito (directum). Os romanos vislumbravam a prudentia, qual seja o equilíbrio entre o abstrato e o concreto.
Não se pode olvidar que as representações grega e romana divergem igualmente no que tange a atitude concernente à espada. Enquanto Diké empunha uma espada, simbolizando a imposição da justiça pela força (iudicare), Iustitia adota o jus-dicere, conduta na qual a espada fica em posição de descanso, podendo, quando preciso, ser utilizada (versão mais usual).
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THEMIS ou Têmis

Têmis na mitologia grega é a protetora dos oprimidos e significa lei, ordem e igualdade.
Icnograficamente, Themis é retratada empunhando uma balança, por meio da qual equilibra a razão com o julgamento, e/ou uma cornucópia; porém nunca é representada segurando uma espada.
"(...) a Themis seria uma espécie de termo intermediário entre a concepção divina de Justiça (uma Justiça ditada por Zeus) e a Diké, de inspiração aberta ou zetética (ou melhor, menos dogmática) que se orientava no sentido de se preocupar com os interesses de seus destinatários. (sic)".
Themis tem como outros símbolos, exempli gratia: a lâmpada, a manjerona e "pudenda muliebria"; possuindo esses últimos dois uma relação com à fertilidade e à sexualidade. _______________________________________________________________
         
       Conclusão:


Themis, em relação ao assunto em pauta, é apenas a mãe de Diké. Tanto isso é verdade que Themis nunca carrega uma espada, a qual simboliza o poder coercitivo do Direito que é indispensável à aplicação do mesmo. Themis sempre segura ou tão-somente uma balança ou uma balança e uma cornucópia. Por isso, como pode Themis ser a "Deusa da Justiça" se jamais tem uma espada (leia-se força, "poder de polícia") para aplicar o Direito?

Assim, enquanto Diké é a Deusa Grega da Justiça, Iustitia é a Deusa Romana da Justiça, podendo ambas ser facilmente distinguidas pela ausência ou presença da venda nos olhos e posição da espada, "iudicare" e "jus-dicere", respectivamente. Apesar das duas representarem a mesma coisa - "A Deusa da Justiça", o significado de ambas diverge tendo em vista o modo como entendem e aplicam o Direito, conforme se depreende de suas vestimentas e apetrechos (v.g.: venda ou falta dela, posição da espada, lingüeta e posição da balança, etc.)

Faz-se mister ressaltar que existem estatuetas e quadros de pinturas da "Deusa da Justiça", inclusive em alguns Escritórios de Advocacia e até Fóruns e Tribunais de Justiça, máxime em Salões dos Tribunais do Júri, retratando a "Deusa da Justiça" empunhando para frente acima de sua cabeça uma espada com os olhos vendados. Diante disso, quero chamar a atenção do nobre Leitor para a constatação de que isso se constitui num erro crasso, pois ou a "Deusa da Justiça" se encontra desvendada com a espada em riste ou vendada com a espada para baixo em aguardo, jamais podendo ser representada empunhando para cima (permitam-me a redundância) uma espada com os olhos vendados.

Ex positis, a figura da "Deusa da Justiça" de uso comum e corrente nas sociedades nos dias de hoje é a da deusa romana da justiça "Iustitia", pois é a que está usando venda (imparcialidade), balança (equilíbrio nos julgamentos e decisões) e espada (poder coercitivo necessário à aplicação do Direito).

Deusa Romana da Justiça
Iustitia- Deusa Romana da Justiça (com venda_jus dicere)

Ao fim e ao cabo, termino, pois essas perfunctórias e mal traçadas linhas, com o célebre ensinamento do emérito Rudolf Von Ihering, o qual em seu mundialmente famoso opúsculo intitulado "A Luta pelo Direito" (considerado como a "Bíblia da humanidade civilizada", por La Veleye) aduz que:

"A espada sem a balança é a força bruta, a balança sem a espada é o direito impotente; completam-se mutuamente; e na realidade, o verdadeiro estado de direito só pode reinar quando a força despendida pela justiça para empunhar a espada corresponda à habilidade que emprega em manejar a balança".
Iustitia- Deusa Romana da Justiça (com venda_jus dicere)


 fonte:  http://jornal.jurid.com.br/materias/noticias/as-deusas-justica 
 autor:  Francisco Carlos Távora de Albuquerque Caixeta, Advogado no Estado do Pará (PA)



21 de out. de 2010

Nos tribunais, pela lei, pela Constituição, pela justiça...


"Nos tribunais, pela lei, pela Constituição, pela justiça, advoguei, advogo, e hei de advogar, enquanto advogado, contra quem quer que for, não me importando quem seja. Tudo está, para mim, na bondade, moral e jurídica da causa. Mais que a União, o Estado, ou todas as outras organizações do poder, quando exorbitantes da sua autoridade, vale, na minha estimativa, qualquer pessoa oprimida, ou esbulhada, quando em busca da reparação legal, qualquer direito, roubado, esmagado ou ofendido, na resistência da sua defesa, ou na luta pela sua reintegração."

Obras Completas de Rui Barbosa. V. 41, t. 5, 1914. p. npb 
Trecho da carta "Esfola da Calúnia". Originais manuscritos no Arquivo da FCRB